Thursday, September 13, 2007


Monday, September 10, 2007

Recrutar adultos


Não é muito consciente o recrutamento que fazemos… quem aparece vai-se aceitando e a “coisa” vai sobrevivendo. Quando a situação fica incontornável, então procura-se activamente “alguém”. Ficar incontornável normalmente significa que a secção ou o agrupamento está em risco de fechar por falta de apoio adulto. Há também o caso de até haver potenciais adultos cheios de capacidade para desempenharem a função e missão... mas ninguém ousar “chegar à frente” (como tem acontecido em estruturas regionais). E acontece apercebermo-nos de repente que temos gente com perfis que não se adequam às funções e não sabemos como aquelas situações surgiram.
Se existe fruto de reflexão em matéria de pensar em recrutar (como é exemplo a Política Nacional de Recursos Adultos aprovada em 2002), a prática nos agrupamentos ou mesmo a nível das estruturas regionais e nacionais é bem ausente de qualquer estratégia nesta matéria.
Julgo que o recrutamento não pode ser uma solução de fim de linha mas devemos assumi-lo como um pulsar de vida, uma oportunidade de crescer, de procurar novas ideias ou energias, de rodar cargos, de ajudar a amadurecer a capacidade de encaixarmos outros ou de nos adaptarmos a outras situações. Pensar em recrutamento deve ser uma preocupação cíclica. Um recrutamento mais consciente pode ser a garantia de que o agrupamento, núcleo ou região funciona e que não funciona só para o presente imediato, mas que garante a continuidade futura.

Um CNE sem Escutismo ????????


Há tempos um colega, por ter sabido que eu era Escuteiro, veio procurar saber como funcionava isto do Escutismo, pois tinha um filhote com 7 anos, que estava farto de o chatear com este pedido. A origem desta insistência, estaria em alguns amigos da escola, que também andavam nos Escuteiros e lhe transmitiam todas as aventuras e brincadeiras, que pelos vistos adoravam. E tornaram-se contagiantes. E ele já não sabia o que fazer ao longo do último ano para o calar, pois como Pai não achava grande piada aos Escuteiros e o filho já tinha actividades extracurriculares em demasia. Fiquei contente com o desafio e logo ali, combinei um almoço, onde pudéssemos trocar algumas informações sobre este assunto. De 1 passou para 2 encontros, onde fui esclarecendo sobre os Valores Cristãos e a Proposta Pedagógica Escutista que estava subjacente, que ajudava os Encarregados de Educação a Educar e sobretudo ajudava o Jovem a descobrir a Vida, enquadrado num Grupo de referencia juvenil com Animadores Adultos voluntários e muito dedicados. Acabei esta ronda, por lhe fornecer alguns contactos de agrupamentos próximos do local de residência, assim como o endereço do site nacional na net, desejando-lhe felicidades a ele e sobretudo ao filhote, que teria um sonho realizado.
Passou algum tempo.
Cruzei-me várias vezes com o meu amigo e nunca tocou no assunto.
Um dia, brinquei com ele no corredor, “ então o teu filho já fez alguma actividade nos Escuteiros?” Senti nos olhos dele algo estranho…e respondeu-me. “Logo tomamos um café e falamos disso.” Nessa tarde, fomos tomar café e lá me disse que tinha decidido que o filho não entraria para os Escuteiros. E acabou por desabafar a custo, a razão: Há tempos atrás saiu um fim de semana com a família, dando uma volta de carro. Por volta da hora do almoço, entrou em Fátima num restaurante. Poucos minutos depois de estar sentado, o seu filho puxou-lhe a mão e diz-lhe:" olha Escuteiros!" Sentaram-se na mesa ao lado e o filho do meu colega estava embasbacado.... Eram 4 Escuteiros “fardados “, 3 já com cerca de 50\60, um outro mais novo com cerca de 30 anos. Um após outro começaram a fumar. Vinham excitados e a conversa era feita inicialmente em surdina e ao longo do repasto, cada vez mais eloquente. O fumo incomodou o meu colega e sobretudo as longas baforadas atiradas para o lado, onde estavam as restantes mesas com clientes. Entretanto os jarros de vinho foram-se esvaziando. A conversa era toda ela "política". Falavam de oposição, dinheiros, subsídios, processos e que fulano de tal sitio estava com eles, mas que o outro os atraiçoou, e conforme o álcool continuava a vir para a mesa, mais se conciliavam e urdiam estratégias e nomes…o á vontade era tanto que já escapavam entre dentes algumas asneirolas…. O meu colega diz que teve que os chamar a atenção para o fumo do tabaco, e para certa linguagem. Levou como resposta: " aqui não é proibido fumar".
A indiferença foi geral, contiveram-se no palavreado, mas continuou o ambiente da urdidura e do tabagismo. Diz ele que fez os possíveis por sair dali o mais rápido possível, pois estava enjoado com tal companhia….
À saída o filho disse-lhe: "Sabes pai, desisti dos Escuteiros pois não quero ser como estes aqui…tenho que avisar os meus amigos…."E a história acaba aqui. Tinha um nó bem grande na garganta e nem sabia bem o que fazer. O meu colega levantou-se e antes de sair disse-me: "Sabes tudo aquilo me pareceu bem diferente do que me tentaste vender inicialmente. Não preciso que o meu filho ande com gente desta para se estragar. Ainda andas nos Escuteiros?" ...e afastou-se. BP tinha muita razão sobre o poder do exemplo. Fiquei sozinho naquela mesa com um nó na garganta, do tamanho do Mundo.
É por estas e por outras…. que ainda estou no CNE…..apesar de tudo!

Thursday, September 6, 2007

Mensagem do Papa a propósito do Centenário do Escutismo


Bento XVI deu graças pelos cem anos da Fundação do Escutismo.
Bento XVI reconheceu os frutos que os escuteiros ofereceram ao mundo e à Igreja, ao se celebrarem os cem anos do início do Escutismo. "Há um século, através do jogo, da acção, da aventura, do contacto com a natureza, da vida de equipa e do serviço aos outros, oferece-se uma formação integral a todos os que se unem ao Escutismo", recorda o Papa na sua carta escrita em francês.

Com o tempo, surgiram associações de escuteiros com uma clara identidade católica, que se estenderam em numerosos países.
"Fecundado pelo Evangelho -- acrescenta --, o Escutismo não é só um lugar de autêntico crescimento humano, mas também o lugar de uma proposta cristã forte e de uma verdadeira maturação espiritual e moral, assim como de um autêntico caminho de santidade".
"O sentido de responsabilidade que desperta a pedagogia dos escuteiros leva a uma vida na caridade e ao desejo de pôr-se ao serviço do próximo, a exemplo de Cristo servidor, baseando-se na graça que Cristo oferece, em particular através dos sacramentos da Eucaristia e da Penitência".
O Papa alenta na carta a "fraternidade dos escuteiros", que "faz parte de seu ideal inicial e que constitui, em particular para as jovens gerações, um testemunho do que é o Corpo de Cristo, no qual, segundo a imagem de São Paulo, todos estão chamados a cumprir uma missão desde o lugar que lhes corresponde, a alegrar-se com o progresso dos outros e a apoiar seus irmãos nas provas".
"Agradeço ao Senhor por todos os frutos que, através deste século, o Escutismo ofereceu", confessa, alentando os escuteiros católicos a continuar seu caminho, propondo aos jovens de hoje uma pedagogia que forme neles uma personalidade forte, fundada em Cristo e desejosa de viver os altos ideais de fé e de solidariedade humana.
Conclui o Papa com um conselho tomado de Baden-Powel: "Sede sempre fiéis a vossa promessa como escuteiros, ainda quando tenhais deixado de ser jovens, e que Deus vos ajude a fazê-lo assim!". E o Papa acrescenta: "Quando o homem se esforça por ser fiel às suas promessas, o próprio Senhor fortalece seus passos".


Fonte: Conferência Internacional Católica do Escutismo (CICE)

Sunday, September 2, 2007

FLORIBELA....


Se havia anedotas e graçolas sobre a possibilidade de a Floribela virar imaginário para uma actividade de escuteiros, então já não é preciso gracejar mais. Já é uma realidade no CNE! Não interessa em que agrupamento(s), mas já aconteceu.
Se os jovens vivem num mundo praticamente limitado ao populismo da programação da televisão, era de esperar que, mais tarde ou mais cedo, por via da interpretação fanática do “Ask the boy”, a Floribela fosse eleita. Até porque, convenhamos, um Fogo de Conselho embalado pelo repertório musical daquela série televisiva seria o máximo! Ui! Adereços à base de sapatilhas e saias floridas! Ui! Um jogo de pista para descobrir uma mensagem de amor escondida! Ui! Em vez de um “Ataque ao Castelo”, podiam sentar-se numa rodinha e jogar ao “Quem gosta de mim?”. Ui!...
Aliás, é imperativo que toda e qualquer actividade tenha um imaginário? A moda diz que sim, e, por isso, é natural que surjam aberrações. Isto, partindo do princípio que um imaginário baseado na Floribela é uma aberração, embora haja muito boa gente que pense que não.
Não deveria haver alguma orientação quando se trata do imaginário para uma actividade (ou Aventura)? Não deveriam “bater certo” os heróis e as referências com os temas adoptados?
E já agora….que heróis se escolhem para os nomes de equipas e patrulhas? Equipa floribela? Equipa FF? Patrulha Mikael Carreira? Equipa Pikachu?.........que acham?