Monday, September 10, 2007

Um CNE sem Escutismo ????????


Há tempos um colega, por ter sabido que eu era Escuteiro, veio procurar saber como funcionava isto do Escutismo, pois tinha um filhote com 7 anos, que estava farto de o chatear com este pedido. A origem desta insistência, estaria em alguns amigos da escola, que também andavam nos Escuteiros e lhe transmitiam todas as aventuras e brincadeiras, que pelos vistos adoravam. E tornaram-se contagiantes. E ele já não sabia o que fazer ao longo do último ano para o calar, pois como Pai não achava grande piada aos Escuteiros e o filho já tinha actividades extracurriculares em demasia. Fiquei contente com o desafio e logo ali, combinei um almoço, onde pudéssemos trocar algumas informações sobre este assunto. De 1 passou para 2 encontros, onde fui esclarecendo sobre os Valores Cristãos e a Proposta Pedagógica Escutista que estava subjacente, que ajudava os Encarregados de Educação a Educar e sobretudo ajudava o Jovem a descobrir a Vida, enquadrado num Grupo de referencia juvenil com Animadores Adultos voluntários e muito dedicados. Acabei esta ronda, por lhe fornecer alguns contactos de agrupamentos próximos do local de residência, assim como o endereço do site nacional na net, desejando-lhe felicidades a ele e sobretudo ao filhote, que teria um sonho realizado.
Passou algum tempo.
Cruzei-me várias vezes com o meu amigo e nunca tocou no assunto.
Um dia, brinquei com ele no corredor, “ então o teu filho já fez alguma actividade nos Escuteiros?” Senti nos olhos dele algo estranho…e respondeu-me. “Logo tomamos um café e falamos disso.” Nessa tarde, fomos tomar café e lá me disse que tinha decidido que o filho não entraria para os Escuteiros. E acabou por desabafar a custo, a razão: Há tempos atrás saiu um fim de semana com a família, dando uma volta de carro. Por volta da hora do almoço, entrou em Fátima num restaurante. Poucos minutos depois de estar sentado, o seu filho puxou-lhe a mão e diz-lhe:" olha Escuteiros!" Sentaram-se na mesa ao lado e o filho do meu colega estava embasbacado.... Eram 4 Escuteiros “fardados “, 3 já com cerca de 50\60, um outro mais novo com cerca de 30 anos. Um após outro começaram a fumar. Vinham excitados e a conversa era feita inicialmente em surdina e ao longo do repasto, cada vez mais eloquente. O fumo incomodou o meu colega e sobretudo as longas baforadas atiradas para o lado, onde estavam as restantes mesas com clientes. Entretanto os jarros de vinho foram-se esvaziando. A conversa era toda ela "política". Falavam de oposição, dinheiros, subsídios, processos e que fulano de tal sitio estava com eles, mas que o outro os atraiçoou, e conforme o álcool continuava a vir para a mesa, mais se conciliavam e urdiam estratégias e nomes…o á vontade era tanto que já escapavam entre dentes algumas asneirolas…. O meu colega diz que teve que os chamar a atenção para o fumo do tabaco, e para certa linguagem. Levou como resposta: " aqui não é proibido fumar".
A indiferença foi geral, contiveram-se no palavreado, mas continuou o ambiente da urdidura e do tabagismo. Diz ele que fez os possíveis por sair dali o mais rápido possível, pois estava enjoado com tal companhia….
À saída o filho disse-lhe: "Sabes pai, desisti dos Escuteiros pois não quero ser como estes aqui…tenho que avisar os meus amigos…."E a história acaba aqui. Tinha um nó bem grande na garganta e nem sabia bem o que fazer. O meu colega levantou-se e antes de sair disse-me: "Sabes tudo aquilo me pareceu bem diferente do que me tentaste vender inicialmente. Não preciso que o meu filho ande com gente desta para se estragar. Ainda andas nos Escuteiros?" ...e afastou-se. BP tinha muita razão sobre o poder do exemplo. Fiquei sozinho naquela mesa com um nó na garganta, do tamanho do Mundo.
É por estas e por outras…. que ainda estou no CNE…..apesar de tudo!

4 comentários:

José Carlos Macedo said...

É verdade que por vezes(poucas) isso acontece, mas é por essa razão e por muitas outras, que nós tal como muitos adultos do CNE aqui estámos. Seremos tão teimosos quanto o necessário para poder mudar a ideia desse seu amigo e de alguns outros amigos que possam ter a mesma ideia do Escutismo do CNE. Não nos podemos deixar levar na onda de que nós é que somos os bons porque até somos a maior Associação de jovens do País e do Mundo, mas sim demonstrar que se a somos é por alguma razão.
Vamos todos fazer mudar a ideia desse seu amigo.
Uma forte canhota.

Anonymous said...

Um escuteiro nunca pode esquecer que é escuteiro e que há comportamentos que não pode ter, ainda para mais fardado.
Quando comecei a minha caminhada escutista, com muita razão, os meus chefes diziam-me que a farda se tinha de respeitar e que se algum dia terminassemos a actividade e continuassemos fardados teriamos de ter muito cuidado onde iamos, o que diziamos e o que faziamos porque podiamos estar a "estragar" a imagem de uma Associação (que para mim é mais que isso - é um modo de vida) existente em tudo o mundo...

Cá está um exemplo, como quatro gatos pingados num simples almoço o conseguem fazer.
Compreendo que ninguém é perfeito, mas temos de ter cuidado com as nossas posturas quando usamos uma fardada, não é a nossa imagem que manchamos, mas sim a farda que usamos que tantos melhores que nós usam.

Anonymous said...

Descobri agora este blog mas estou dempresionada com ele tem ula belas lições de moral... Como em tantos outros movomentos, profissões ou ate mesmo em situações da nossa vida quotidiana existem os bons e os maus no escutismo não ha excepções mas felizmente sao poucas. cabe nos a nós escuteiros "bons" demonstrar que entram pos escuteiros é adoptar uma nova forma de ver a vida e de a viver e digo com muito ORGULHO QUE SOU ESCUTEIRA a muitos anos e que ainda quero ser por outros tantos ou mais e um dia que tenha filhos espero que elas possam frequentar esse belo movimento...

Gil said...

Uma grande Canhota para Bragança, histórias como estas deve haver muitas, infelizmente começamos a chegar a uma altura em que tudo vale, sou neste momento Dirigente, mas comecei nos exploradores em 1986 e a perda de valores é cada vez maior e depois é claro ouvimos este relatos.
Um Abraço
Gil